E o país que toma mais vinho é…

Por Léo Prado 7 Min Read

Qual país toma mais vinho em termos absolutos? E qual é o povo que mais bebe em termos per capita? Estas e outras perguntas foram respondidas pela Organização Internacional do Vinho (OIV) que divulgou os números do setor em 2022 e mostrou um cenário bastante estável em relação ao ano anterior.

Os espanhóis não são os maiores consumidores de vinhos, estão na 9ª colocação mundial, mas a Espanha é o país com a maior superfície de vinhedos, que representa 13% do território global. A seguir, estão França e China, com 11% respectivamente, e Itália (10%).

Ao todo, são 85 os países produtores, sendo que metade da produção se concentra em apenas três deles, nesta ordem: Itália, França e Espanha. Ou seja, apesar de os espanhóis terem a maior superfície de vinhedo, as vinhas italianas e francesas são mais produtivas.

Em 2022, o mundo tomou 232 milhões de hectolitros de vinhos, praticamente a mesma quantidade do ano anterior. São 200 os países onde a bebida é apreciada, mas metade do consumo se concentra em apenas cinco países. Em números absolutos, os Estados Unidos lideram o ranking com 32 milhões de hectolitros, seguidos por França, Itália, Alemanha e Reino Unido.

Já, quando olhamos ao consumo per capita, o cenário muda bastante. Os portugueses se confirmam os maiores tomadores de vinho do mundo, com 67,5 litros, isto é, 90 garrafas de 750 ml por pessoa, no ano. A diferença com o consumo de vinho dos brasileiros é gritante. Na ex-colônia portuguesa, o consumo foi de 2,1 litros por pessoa, praticamente três garrafas no ano.

Mas a vantagem dos portugueses é ampla também em comparação com os demais povos. Os franceses, que estão em segundo lugar no ranking, tomaram 47,4 litros no ano, praticamente 20 litros a menos que os lusitanos; os italianos, em terceiro lugar, somaram 44,4 litros por pessoa; em quarto, vieram os suíços com 35,5 litros e, em quinto, os austríacos com 30,8 litros.

O final da lista é ocupado por países onde o consumo da bebida ainda patina: no Japão foram 3,1 litros per capita, o que coloca a nação de pouco à frente do Brasil, e a China onde no ano passado foram tomados 0,8 litros.

A Itália não foi apenas o país que mais produziu vinho, mas também o que liderou as exportações em volume, ligeiramente à frente da Espanha. Seguem França, Austrália e Chile. A França, porém, é a primeira colocada quando se trata de valor bebida: o país exportou mais de 12 bilhões de euros, bem à frente da Itália, com 7,8 bilhões.

Quem compra o vinho exportado por Itália, França e Espanha? A maior parte acaba nos mercados de Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, que se confirmam os três maiores importadores de vinhos.

Quer entender por que o consumo de vinhos é tão elevado entre os portugueses? Experimente os rótulos a seguir e tudo fará sentido:

Marquês de Borba Vinhas Velhas

A partir de vinhas velhas da região do Alentejo (Portugal), o renomado enólogo João Portugal Ramos produz este tinto com aromas intensos de frutas escuras, folha de eucalipto e notas de especiarias. No paladar, é muito equilibrado e com taninos arredondados. Fermenta em lagares de mármore com pisa a pé e estagia 12 meses em barricas de carvalho americano e francês. Ótimo para massas com ragu de carne.

Tons de Duorum tinto

Um vinho do Douro de excelente custo-benefício, este tinto apresenta aromas de frutas vermelhas maduras e leve toque floral. Em boca, é seco, tem corpo médio, boa acidez, taninos suaves e maduros, além de um final longo. Estagia em barricas de carvalho francês durante 6 meses. Acompanha carnes vermelhas e massas com molhos intensos.

Monsaraz DOC tinto

Um blend das uvas Alicante Bouschet (40%), Aragonez (30%) e Trincadeira (30%) com aromas de frutas vermelhas maduras, como amoras e groselhas, e notas de baunilha. No paladar, é seco, de médio corpo, macio e redondo. Acompanha lindamente pizzas, massas com molhos de carnes e carnes grelhadas.

Nossa Calcário tinto

Elaborado a partir de vinhas com mais de 80 anos pela prestigiada enóloga portuguesa Filipa Pato, este tinto elaborado com a uva Baga apresenta aromas de frutas vermelhas com notas de menta e tabaco. Em boca, é seco, encorpado, com boa acidez e taninos muito bem estruturados. Estagia 18 meses em pipas de carvalho francês, 80% usados e 20% novos. Acompanha carnes vermelhas e carnes de caça. A safra 2018 recebeu 93 pontos Robert Parker.

Quinta do Penedo tinto

Elegante e equilibrado, o vinho tinto do Dão é produzido com as uvas Touriga Nacional (70%) e Alfrocheiro (30%). Passa por vinificação clássica e pisa a pé. O rótulo apresenta aromas minerais e, em boca, é bastante frutado e tem final persistente. Estagia por 12 meses em barrica de carvalho nova e usada. Excelente sozinho ou para acompanhar queijos e massas.

Pouca Roupa Tinto

Os vinhos portugueses Pouca Roupa são jovens e irreverentes. Os rótulos foram pensados e criados pelo filho do enólogo João Portugal Ramos – João Maria Ramos, para um público mais ousado. O vinho tinto tem sabores de frutas escuras, notas balsâmicas e taninos sedosos. Indicado para acompanhar pizzas, carnes suínas ou peixes grelhados.

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