Paulo Herkenhoff prepara livro inédito sobre obras de artista baiano expostas na Vinícola UVVA

Por Léo Prado 3 Min Read

Impactado após visitar a a exposição “O Tempo Espelhado”, do artista baiano Marcos Zacariades, exposta em uma galeria na cave subterrânea da Vinícola UVVA, localizada na cidade de Mucugê, na Chapada Diamantina, o crítico Paulo Herkenhoff assumiu a missão de escrever um livro sobre a mostra. A obra, já em fase de produção, tem lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2024.

“Para mim foi uma grande revelação encontrar aquela exposição, naquele lugar, com aquela força. Embora eu não tenha visto tudo o que se expôs este ano no Brasil, vi bastante coisa e acho difícil que tenha algo que a supere em rigor formal, em vigor político e intelectual. O trabalho do Marcos Zacariades tem uma grande abrangência, um diapasão de muita largueza. É uma obra épica”, destaca o crítico de arte.

A mostra está montada no interior da cave da vinícola, um espaço nobre localizado no subterrâneo da vinícola. O local foi especialmente adaptado para receber a intervenção artística e ganhou uma nova atmosfera para abraçar cerca de 20 obras, entre esculturas, instalações, vídeos e assemblagens. São trabalhos produzidos nas últimas duas décadas pelo artista, que é formado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia e, desde 2002, está à frente da Galeria Arte & Memória, na pequena vila de Igatu, a poucos quilômetros de Mucugê.

Entre os destaques estão a instalação “O Banquete de Migalhas e os Comensais da Própria Carne”, produzida com restos de madeira encontrados em florestas devastadas pelo fogo e pelo desmatamento desordenado; “O Silêncio das Bombas”, elaborada com material natural encontrado em Igatu e concebida em 2005 em memória dos 60 anos de lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima; e “Movimento Etérico”, que apresenta um painel luminoso com mais de 800 fotografias de lençóis brancos levitando sob um céu azul. Trata-se de uma referência ao ritual do Terno das Almas, manifestação religiosa tradicional da região, que havia caído no ostracismo.

“Foi uma enorme satisfação compartilhar e vivenciar a visita do curador à minha exposição. Seu olhar atento a cada obra, a interpretação e pontuações feitas durante o percurso ratificam o propósito de produzir uma arte cujo caráter social e antropológico é o lastro para compreender a relação do ser humano com a natureza, em confronto com as questões que regem o nosso tempo”, comemora Marcos Zacariades.

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