Enoturismo na Serra Gaúcha atinge recorde e transforma vinícolas em destino de experiência para toda a família

Por Diego Rodríguez Velázquez 7 Min de leitura

Com 57,8% de crescimento nas experiências comercializadas em 2025, o Vale dos Vinhedos espera mais de 120 mil visitantes no inverno de 2026

Quem planeja uma viagem à Serra Gaúcha em julho de 2026 vai encontrar um cenário bem diferente do que existia há dez anos. As vinícolas da região deixaram de ser apenas locais de produção e degustação para se tornarem destinos completos de experiência, com restaurantes premiados, piqueniques nos vinhedos, hospedagem em casarões históricos e atividades que vão de aulas de yoga com espumante à colheita manual de uvas.

A plataforma Wine Locals registrou crescimento de 57,8% no número de experiências vitivinícolas comercializadas no Rio Grande do Sul em 2025 em comparação ao ano anterior, segundo dados publicados pelo portal Mercado e Eventos. Para o inverno de 2026, estimativas apontam expectativa de mais de 120 mil visitantes no Vale dos Vinhedos nos meses de junho, julho e agosto, período em que as temperaturas caem, as lareiras acendem nas pousadas e a gastronomia regional ganha protagonismo com pratos quentes e harmonizações elaboradas.

A pergunta que muita gente faz antes de planejar essa viagem é: quais vinícolas realmente valem a visita e o que cada uma oferece de diferente?

Vinícolas tradicionais que continuam surpreendendo

A Cooperativa Vinícola Aurora é pioneira no enoturismo brasileiro, com atividades iniciadas em 1967. Hoje, oferece 11 experiências distribuídas entre as unidades Matriz em Bento Gonçalves, o Vale dos Vinhedos e Pinto Bandeira. O tour pela cantina inclui a explicação detalhada dos processos de elaboração de vinhos, sucos e espumantes, com degustação ao final. Em dias de bom tempo, as atividades ao ar livre complementam a programação, conforme detalhado pelo portal Bem Paraná.

A Casa Valduga, também no Vale dos Vinhedos, mantém três opções de enoturismo para perfis diferentes de visitante. O tour tradicional conta a história de uma família com raízes nos imigrantes italianos do Norte da Itália chegados à Serra Gaúcha desde 1875. Para quem prefere algo mais dinâmico, o tour de sensações propõe harmonizações de vinhos brancos e tintos com queijos e chocolates. A vinícola ainda oferece cursos de degustação que percorrem desde a história da parreira até a análise sensorial de diferentes estilos.

A Miolo é uma das maiores do Brasil, com produção anual de cerca de 12 milhões de litros de vinhos e espumantes. Seus roteiros de visitação percorrem vinhedos com 40 variedades de uvas, barricas de carvalho onde o vinho envelhece e o Wine Garden, um espaço ao ar livre que combina wine bar, comidinhas e piqueniques em uma atmosfera descontraída, conforme descrito pelo portal Wine Locals.

Experiências que fogem do roteiro comum

Para quem busca algo fora da visitação convencional, a Serra Gaúcha oferece opções que surpreendem. A Casa Perini, em Farroupilha, famosa pelo terroir de Moscatel, propõe o Bike Tour Experience: o visitante pedala entre os vinhedos e faz uma parada com cesta de piquenique e uma garrafa da casa. É uma das experiências mais comentadas da região pela combinação entre atividade física, contato com a natureza e prazer à mesa.

A vinícola Don Giovanni, em Pinto Bandeira, funciona também como pousada em um casarão de 1930. Para quem quer fugir da pressa, a proposta é chegar, se hospedar, acordar sem compromisso e aproveitar o Brunch Nature com espumante logo pela manhã. A vinícola Cristofoli oferece, em datas especiais, o exclusivo “Jantando com a Família Cristofoli”, experiência em que o visitante ouve as histórias e receitas da família enquanto prova os vinhos dos vinhedos próprios. Há ainda o Edredon nos Parreirais, um piquenique romântico para dois, ideal para quem viaja em casal.

Para os mais aventureiros, a Casa Valduga organiza passeios de automóvel 4×4 pelos vinhedos, enquanto a Cave do Sol, vinícola moderna no Vale dos Vinhedos com obras de arte espalhadas pelo espaço, oferece o tour como uma visita sensorial que mistura vinho, paisagem e cultura. A Monte Astral segue uma proposta biodinâmica, com manejo dos vinhedos pelo calendário astronômico e fermentação em ânforas de concreto, com almoço disponível no restaurante Ostara.

Como planejar a visita com antecedência

O inverno é a temporada mais concorrida da Serra Gaúcha. As baixas temperaturas, a névoa matinal sobre os vinhedos e as lareiras acesas nas pousadas criam um cenário especialmente charmoso, mas que também atrai um fluxo intenso de turistas. Guias especializados e portais como Wine Locals e Melhores Destinos recomendam que reservas de hospedagem, almoços harmonizados e tours em vinícolas sejam feitas com pelo menos 30 dias de antecedência durante julho.

O Vale dos Vinhedos é o ponto de partida ideal para quem visita a região pela primeira vez. Reconhecido como a primeira Denominação de Origem de vinhos e espumantes do Brasil, o vale reúne empreendimentos de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, com opções para todos os perfis: desde a visita rápida com degustação até o fim de semana completo com hospedagem, gastronomia e roteiro personalizado por diferentes produtores, conforme publicado pelo portal Passeios.org.

Para quem quer ir além do Vale, a Rota dos Espumantes em Garibaldi e os produtores de altitude em Flores da Cunha e Altos Montes completam um roteiro diverso que cobre do espumante clássico ao branco mineral, passando por tintos de guarda que mostram como a Serra Gaúcha vai muito além do que muita gente imagina.

Fontes:

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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