O mercado de vinhos orgânicos no Brasil vive um momento de expansão que chama atenção de produtores, importadoras e consumidores.
Segundo levantamento da consultoria Grand View Research, citado pelo portal TrendsCE, o setor global de vinhos orgânicos movimentou US$ 13,1 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 14,4 bilhões em 2026, com crescimento médio anual estimado em 10,6% até 2033.
O Brasil cresce em ritmo mais acelerado que o mundo
No recorte nacional, o cenário é ainda mais expressivo. O mercado brasileiro movimentou US$ 137,2 milhões em 2025, o equivalente a cerca de R$ 708 milhões, o que representa apenas 1% do total mundial. A projeção, no entanto, aponta para uma receita de US$ 289,5 milhões até 2033, próxima de R$ 1,4 bilhão, com crescimento médio anual de 9,8%, conforme dados publicados pelo TrendsCE.
Esse avanço acontece em paralelo a um movimento mais amplo do consumo de vinho no país. Enquanto o mundo enfrenta o menor índice de consumo desde 1961, segundo dados da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho), o Brasil segue na direção contrária. O setor projeta movimentar mais de R$ 22 bilhões em 2026, impulsionado por um consumidor que passou a valorizar qualidade, origem e sustentabilidade na hora de escolher a garrafa, de acordo com informações do Poder360.
Sustentabilidade vira argumento de venda
A busca por produtos com menor impacto ambiental tem levado importadoras a investir em portfólios orgânicos. Um exemplo citado pelo TrendsCE é a Domno Wines, do grupo Famiglia Valduga, que atua com vinhos orgânicos há mais de quinze anos e registrou crescimento de aproximadamente 80% nas vendas dessa categoria ao longo desse período. O resultado reforça que o interesse por rótulos sustentáveis deixou de ser um nicho restrito e passou a ganhar espaço em prateleiras e cartas de vinho por todo o país.
Ainda assim, a produção nacional de orgânicos enfrenta desafios. Fatores como clima, custo de certificação e escala de produção seguem sendo obstáculos para vinícolas que desejam ampliar a oferta desse tipo de rótulo. Mesmo assim, o apetite do consumidor por produtos com selo de sustentabilidade tem funcionado como incentivo para que mais produtores considerem a conversão de parte de seus vinhedos.
Um consumidor mais exigente
Esse movimento acompanha uma transformação mais profunda no perfil do bebedor de vinho brasileiro. Especialistas ouvidos pelo portal Sala da Notícia apontam que o vinho deixou de ser associado apenas a ocasiões especiais e passou a integrar a rotina de milhares de famílias, presente em refeições, encontros informais e momentos de lazer, conforme reportagem publicada no Sala da Notícia.
Essa mudança de comportamento também aparece refletida nas preferências por tipo de vinho. Um levantamento da consultoria Ideal, mencionado pelo portal Bares e Restaurantes, mostrou aumento de 28% nas vendas de vinhos brancos entre o primeiro trimestre de 2025 e o último de 2024, uma tendência associada à busca por rótulos mais leves e refrescantes, alinhados ao clima tropical do país, segundo o Bares e Restaurantes.
Diante desse cenário, o vinho orgânico surge como uma peça a mais dentro de um quebra cabeça maior: o de um mercado brasileiro que amadurece, diversifica seu público e passa a exigir mais informação sobre origem, processo produtivo e impacto ambiental de cada garrafa. Para quem acompanha o setor, os próximos anos devem confirmar se essa combinação entre crescimento e sustentabilidade vai se firmar como uma das principais características da vitivinicultura nacional.


