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Limites de alavancagem definem o uso de derivativos em fundos estruturados, explica Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM

Por Noelia Montesa 7 Min de leitura
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A regulamentação estabelece parâmetros específicos para o uso de instrumentos derivativos e para a exposição adicional de risco assumida por um fundo de investimento em direitos creditórios, segundo a ID CTVM, mecanismo que busca preservar a solidez patrimonial da operação

Fundos de investimento em direitos creditórios podem, dentro de limites estabelecidos pela regulamentação e pelo regulamento específico de cada operação, utilizar instrumentos derivativos como forma de proteção contra riscos específicos assumidos pela carteira, como exposição cambial em recebíveis atrelados a moeda estrangeira ou risco de variação de taxa de juros em ativos de prazo mais longo. Esse uso de derivativos, quando adequadamente dimensionado e destinado exclusivamente a fins de proteção, conhecidos como operações de hedge, difere substancialmente de estratégias especulativas que ampliariam, em vez de reduzir, o risco assumido pelos cotistas do fundo.

A regulamentação estabelece limites específicos de alavancagem para fundos estruturados, parâmetros que restringem o quanto um fundo pode se expor a riscos adicionais além do valor de seu patrimônio líquido, seja por meio de operações com derivativos, seja por meio de outras formas de endividamento eventualmente permitidas pelo regulamento de cada operação específica.

Hedge cambial e de juros protege a carteira sem ampliar especulação

O uso de derivativos com finalidade de proteção, ou hedge, busca neutralizar riscos específicos aos quais a carteira de um fundo está exposta em razão da natureza de seus ativos, como a variação cambial de recebíveis vinculados a contratos em moeda estrangeira ou a oscilação de taxas de juros que afeta o valor presente de recebíveis de prazo mais longo. Essa modalidade de uso de derivativos, quando corretamente dimensionada, reduz a volatilidade do valor de cota do fundo, em vez de ampliá-la, funcionando como uma ferramenta de gestão de risco complementar às demais camadas de proteção estrutural já presentes em uma operação de crédito estruturado.

Para Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM, a distinção entre uso protetivo e uso especulativo de derivativos é um dos pontos centrais na análise regulatória e na governança de fundos estruturados.

“A regulamentação é clara ao diferenciar o uso de derivativos para proteção patrimonial do uso especulativo, que amplia a exposição a riscos além do necessário para a estratégia declarada do fundo. Um administrador fiduciário precisa acompanhar de perto essas operações, verificando se o volume e a natureza dos derivativos contratados são compatíveis com a finalidade protetiva declarada no regulamento, e não com uma tentativa de ampliar artificialmente o retorno potencial da carteira por meio de exposição adicional a risco”, afirma o executivo.

A ID CTVM atua como administradora fiduciária de fundos estruturados que utilizam instrumentos derivativos dentro dos limites regulamentares estabelecidos, monitorando continuamente a aderência dessas operações à finalidade protetiva declarada em cada regulamento sob sua administração.

Monitoramento contínuo dos limites regulamentares de exposição

O acompanhamento dos limites de alavancagem de um fundo estruturado é realizado de forma contínua pelo administrador fiduciário, que verifica periodicamente se a exposição total assumida pela operação, considerando tanto os ativos que compõem a carteira quanto eventuais posições em derivativos, permanece dentro dos parâmetros estabelecidos pela regulamentação e pelo regulamento específico daquele fundo. Esse monitoramento é particularmente relevante em fundos com estratégias mais sofisticadas, que combinam diferentes tipos de recebíveis com o uso complementar de instrumentos de proteção.

A transparência na divulgação sobre o uso de derivativos e sobre os limites de alavancagem efetivamente praticados por um fundo também compõe um elemento relevante de governança, permitindo que investidores institucionais avaliem com precisão o real perfil de risco de uma operação antes de comprometer capital em uma nova alocação dentro da indústria de crédito estruturado.

Custo do hedge influencia a decisão sobre sua contratação

A contratação de instrumentos derivativos para fins de proteção patrimonial envolve um custo específico, que reduz, em alguma medida, o retorno líquido esperado pelos cotistas de um fundo, o que exige do gestor uma avaliação criteriosa sobre em que medida o benefício da proteção obtida compensa esse custo adicional assumido pela operação. Fundos com exposição cambial ou a taxas de juros mais reduzida podem optar por não contratar hedge de forma integral, avaliando que o custo dessa proteção não se justifica diante do nível de risco efetivamente assumido pela carteira.

Essa decisão sobre o grau de proteção contratado, parcial ou integral, costuma ser revisada periodicamente pelo gestor, à medida que a composição da carteira do fundo se altera ao longo do tempo e que as condições de mercado para contratação de novos instrumentos derivativos também sofrem variações, o que reforça a natureza dinâmica dessa gestão de risco ao longo de toda a vida de uma operação estruturada.

Perspectivas para o uso de derivativos em fundos de recebíveis

Com a indústria de FIDCs brasileira ampliando sua sofisticação técnica e incorporando recebíveis com maior exposição a fatores como variação cambial e taxa de juros, a tendência é que o uso criterioso de instrumentos derivativos para fins de proteção patrimonial siga ganhando relevância na estruturação de novas operações. Para administradores fiduciários especializados, o monitoramento rigoroso dos limites de alavancagem deve continuar sendo um pilar técnico central para sustentar a confiança de investidores na indústria de crédito estruturado.

Sobre a ID CTVM 

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

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