A produção de vinhos no Brasil chega à 34ª Avaliação Nacional de Vinhos com uma representação territorial mais ampla. Promovido pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), o evento está marcado para 17 de outubro de 2026, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, e terá entre seus principais destaques a participação de amostras produzidas em diferentes regiões do país.
De acordo com a Associação Brasileira de Enologia, a edição recebeu 558 amostras de 83 vinícolas. Os vinhos foram enviados por produtores de dez estados e do Distrito Federal, um recorte que reforça a expansão da atividade para além dos polos historicamente associados à vitivinicultura brasileira.
Avaliação reúne vinhos de dez estados e do Distrito Federal
Entre as 191 amostras classificadas no grupo correspondente aos 30% mais representativos da safra estão vinhos da Bahia, de Goiás, de Minas Gerais, do Paraná, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, de São Paulo e do Distrito Federal. A lista também contempla a diversidade de ambientes produtivos que hoje fazem parte do mapa do vinho nacional.
A presença desses estados na seleção indica que a produção brasileira não está limitada a uma única zona climática ou a um modelo regional. Diferentes condições de solo, clima e manejo contribuem para a formação de estilos próprios, ampliando as possibilidades para produtores e consumidores. O resultado também dá visibilidade a áreas que ainda buscam consolidar sua identidade no mercado de vinhos.
Seleção final mantém liderança gaúcha, mas amplia o mapa do vinho
A etapa final da avaliação reúne 16 amostras para a degustação pública. Desse total, 14 são do Rio Grande do Sul, uma é de Santa Catarina e uma vem do Distrito Federal. A composição preserva a liderança da região Sul na produção vitivinícola brasileira, mas, ao mesmo tempo, sinaliza a entrada de novas origens no circuito nacional de qualidade.
Bento Gonçalves, cidade-sede do evento, está no coração da Serra Gaúcha, principal referência histórica do vinho brasileiro. A realização da avaliação no município aproxima o público de uma região marcada pela concentração de vinícolas, pela tradição enológica e pelo enoturismo. Ainda assim, a seleção de 2026 projeta uma leitura mais abrangente do setor, ao colocar lado a lado amostras de distintas partes do território nacional.
Os dados completos da programação e da seleção estão disponíveis na página da Avaliação Nacional de Vinhos da ABE. A iniciativa funciona como uma vitrine técnica da safra e ajuda a apresentar ao público a diversidade dos vinhos produzidos no país, sem concentrar a atenção em uma única vinícola ou marca.
O que a Safra 2026 revela sobre o vinho nacional
Além de destacar amostras específicas, a avaliação oferece um retrato do momento vivido pela vitivinicultura brasileira. A participação de 83 vinícolas e a origem das amostras em dez estados e no Distrito Federal mostram uma cadeia produtiva com presença territorial mais distribuída. Para o consumidor, isso significa maior possibilidade de conhecer rótulos associados a diferentes regiões e propostas de produção.
O movimento também tem relevância econômica. Em setembro de 2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária publicou o primeiro Anuário do Vinho, com informações referentes a 2025. O documento registrou 965 vinícolas cadastradas no Brasil, distribuídas por 327 municípios, além de mais de 300 milhões de litros de vinho declarados e 7.361 empregos diretos no período.
Quando observados em conjunto, os números do anuário e a abrangência da Avaliação Nacional de Vinhos ajudam a dimensionar o avanço da atividade. A expansão geográfica da produção ocorre ao lado da organização institucional do setor e da busca por reconhecimento técnico. A Safra 2026, portanto, não representa apenas uma seleção de vinhos: também evidencia como o vinho brasileiro vem se tornando mais plural em origens, estilos e oportunidades de mercado.


