Cachos de uvas verdes pendem de videiras em um parreiral.

Pesquisa da Epamig aponta potencial de uvas resistentes para vinhos finos no Sul de Minas

Por Redação Vinicola Wine 5 Min de leitura

Uma pesquisa da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) identificou potencial produtivo e enológico em oito variedades de uvas resistentes a doenças cultivadas no Sul de Minas Gerais. O estudo foi realizado entre 2021 e 2025 e analisou o comportamento das plantas no campo, além das características das uvas e dos vinhos obtidos em testes de microvinificação.

O trabalho concentra-se em cultivares do grupo PIWI, denominação usada para variedades desenvolvidas a partir de cruzamentos que reúnem características da espécie Vitis vinifera e genes associados à resistência contra fungos. De acordo com a publicação do Governo de Minas Gerais, os materiais avaliados apresentaram capacidade para contribuir com a elaboração de vinhos finos.

Pesquisa avaliou desempenho no campo e na vinificação

A avaliação não se limitou à produtividade das videiras. A equipe também observou o potencial enológico das variedades, etapa necessária para verificar se as uvas podem resultar em vinhos com características adequadas ao mercado. Para isso, foram realizadas microvinificações, processo que permite produzir pequenos lotes experimentais e analisar o comportamento de cada cultivar durante a transformação da uva em vinho.

Os resultados indicaram que as oito variedades possuem características promissoras tanto para o cultivo quanto para a produção vinícola. A pesquisa, no entanto, representa uma etapa de avaliação e não significa que todas as cultivares estejam prontas para adoção comercial em larga escala. A adaptação ao local de plantio, a regularidade das safras e a qualidade dos vinhos são fatores que precisam continuar sendo observados.

Resistência pode reduzir a dependência de fungicidas

Entre os principais pontos analisados está a reação das plantas ao míldio, uma das doenças que afetam as videiras e exigem medidas de controle no cultivo convencional. Segundo a Epamig, em determinados ciclos de produção não foi necessária a aplicação de fungicidas para combater a doença nas variedades avaliadas.

Essa característica pode trazer implicações importantes para a vitivinicultura. A menor necessidade de pulverizações tende a simplificar o manejo dos vinhedos e pode contribuir para a redução do uso de produtos destinados ao controle de fungos. O efeito também se relaciona às discussões sobre sustentabilidade na produção de uvas, embora os resultados dependam das condições climáticas, do manejo adotado e do desempenho de cada variedade ao longo do tempo.

Para os produtores, cultivares com resistência a doenças podem representar uma alternativa em regiões que buscam ampliar ou diversificar a produção de vinhos. A possibilidade de combinar resistência, produtividade e qualidade enológica é especialmente relevante em áreas onde a vitivinicultura ainda está em processo de consolidação, como o Sul de Minas Gerais.

PIWI amplia as possibilidades para novas regiões produtoras

O estudo também reforça a importância da pesquisa na adaptação de materiais genéticos às diferentes condições brasileiras. O país possui polos vitivinícolas com características distintas, e o desempenho de uma variedade pode variar de acordo com clima, solo, regime de chuvas e práticas de manejo. Por isso, testes regionais são necessários antes de recomendar o cultivo em maior escala.

No Sul de Minas, a avaliação de uvas PIWI amplia o conjunto de alternativas disponíveis para produtores interessados em vinhos finos. A região passa a ser observada não apenas pelo potencial de cultivo, mas também pela possibilidade de desenvolver uma produção alinhada à inovação tecnológica e ao uso mais racional de insumos agrícolas.

O interesse pelas variedades resistentes acompanha uma busca do setor por sistemas produtivos mais eficientes e adaptados aos desafios do campo. No caso da pesquisa da Epamig, a combinação entre ensaios agronômicos e microvinificações permite avaliar o caminho completo, desde o comportamento da videira até o resultado final na taça.

Resultados ainda dependem de continuidade

A divulgação dos resultados oferece uma indicação positiva para a vitivinicultura mineira, mas a adoção das cultivares depende da continuidade das avaliações e da confirmação de seu desempenho em diferentes ciclos. Também será necessário observar como os vinhos produzidos se comportam em escala maior e como podem ser recebidos por produtores e consumidores.

Por enquanto, o estudo da Epamig mostra que uvas resistentes a doenças podem integrar a estratégia de expansão dos vinhos finos no Sul de Minas. A pesquisa contribui para ampliar o conhecimento sobre cultivares PIWI no Brasil e aponta uma possível combinação entre diversificação regional, inovação no campo e práticas de produção com menor dependência de fungicidas.

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